Textos, entrevistas, palavras e pensamentos publicados no noveletras.blogspot.com foram apagados por invasores. Da noite pro dia meu antigo blog sumiu. Como não vou poder usar o mesmo nome, estou de volta em novo endereço. Muito do que escrevi lá vocês vão poder ler aqui. Obrigada pela visita!!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Cinco filmes franceses

Já está definida a programação de filmes franceses que serão exibidos em maio no Cineclube da Fundação Cultural BADESC, em Florianópolis. Toda segunda-feira tem sessão gratuita a partir das 19h.

03/05
Carta Camponesa - Lettre Paysanne (França, 1973). Dir: Safi Faye 98'

Um camponês abastado e mau caráter decide se casar. Sua futura esposa deve possuir beleza perfeita, mas, segundo ele, as mulheres de sua aldeia não correspondem aos seus critérios de escolha. Um dia, uma jovem belíssima de passado misterioso aparece...

10/05
Tudo Perdoado - Tout est Pardonné (França, 2007). Drama em Cores. Duração 95’ Dir: Mia Hansen-love Classificação etária 12 anos.

Victor vive em Viena com Annette, sua esposa e sua filha Pamela. É primavera. Fugindo do trabalho, Victor passa os dias fora, brinca com a filha e vadia no Parque. Apaixonada, Annette está confiante que ele se ajeitará. Mas Victor não abandona os maus hábitos e acaba se apaixonando por uma jovem junkie. Onze anos depois, Pamela descobre que o pai vive na mesma cidade e decide vê-lo novamente.
Prêmio Louis Delluc 2007.
Selecionado na Quinzaine des Réalisateurs – Cannes 2007.

17/05
Meu tio da América Mon oncle d'amérique (França, 1980).
De Alain Resnais. Com Gérard Depardieu, Nelly Borgeaud, Nicole Garcia, Roger Pierre. Drama em Cores. Duração 125’.

O título do filme faz alusão a um personagem obscuro. Não se sabe se ele está morto, rico ou miserável, numa América que jamais aparece. Os labirintos aqui trilhados são os dos textos científicos de Henri Laborit. Alain Resnais é uma das personalidades mais marcantes do cinema francês: Meus filmes são uma tentativa, ainda que grosseira e muito primitiva, de aproximar-se da complexidade do pensamento, de seu mecanismo....
Cannes 1980: Grande prêmio do júri e Prêmio Fipresci

24/05
Khamsa (França, 2008).
De Karim Dridi. Com Marc Cortes, Medhi Laribi, Raymond Adam , Simon Abkarian, Tony Fourmann. Cores. Duração 95’. Classificação etária 12 anos.

Depois de fugir de sua família adotiva, Khamsa volta para o acampamento cigano onde nasceu 13 anos atrás. Nada parece ter mudado desde que ele foi forçado a partir, os jogos de cartas tarde da noite, o mergulho no mar Mediterrâneo, as brigas de galo... Khamsa está novamente em casa. Até que seu melhor amigo Coyote conhece Rachitique, um ladrãozinho, com quem começa a realizar pequenos furtos. A juventude e a inocência de Khamsa irão rapidamente acabar à medida que ele desce numa espiral de delinquência.
Oscar 1981: Indicado na categoria melhor filme estrangeiro

31/05
Obras, a gente sabe quando começa... Travaux, on sait quand ça commence.... (França/França, 2005). De Brigitte Rouan. Com Aldo Maccione, Carole Bouquet, Didier Flamand, Jean-Pierre Castaldi. Cores. Duração 95’. Classificação etária livre.

Chantal é uma brilhante advogada, especializada em defender imigrantes. Imbatível e implacável no tribunal, na vida privada ela é condescendente com seus dois filhos adolescentes e o ex-marido. Decidida a fazer uma reforma no seu apartamento, ela contrata os serviços de um grupo de colombianos. A obra se transforma num pandemônio, e Chantal chega à beira de um ataque de nervos.

A Fundação Cultural fica na rua Visconde de Ouro Preto, 216, centro.
Mais informações (48) 3224 8846


quarta-feira, 28 de abril de 2010

#Doe palavras

Vamos descobrir o poder que têm as palavras?

O projeto criado pelo Instituto Mário Penna de Belo Horizonte/MG pretende levar mensagens de força aos pacientes com câncer. Qualquer pessoa pode participar pelo site www.doepalavras.com.br ou pelo twitter usando a hashtag #doepalavras. Depois de passar por um filtro, as mensagens enviadas são exibidas em TVs dentro do hospital, em locais onde os pacientes mais precisam de incentivo e força, como a sala de quimioterapia.

Assim como o Instituto fez, vamos apostar na sensibilidade humana??

terça-feira, 27 de abril de 2010

O ouro que ninguém vê



De repente a tempestade chega ao fim
e o que aparece no céu enche os olhos de admiração


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Entrevista ponto-com

Rose: O seu nome, Marcelo Canellas, está ligado a grandes reportagens de conteúdo humano. Como repórter especial da Rede Globo há 18 anos, você já teve o trabalho reconhecido e premiado várias vezes. O que motivou você a seguir por este caminho do jornalismo social?

Marcelo Canellas: Sempre acreditei ser impossível separar o cidadão do jornalista. Portanto, tudo o que me incomoda como cidadão me incomoda também como jornalista. E é justo que minhas preocupações de cidadão virem substância informativa, reportagem, notícia. Cláudio Abramo, num artigo famoso, disse que a ética do marceneiro é igual à do jornalista. Quer dizer, ética é uma só: se você não engana e não mente como pessoa, não pode mentir nem enganar como jornalista. Vivendo no Brasil, e vendo as contradições da sociedade brasileira, não há como, do ponto de vista ético, não fazer disso tudo matéria prima do jornalismo.

Rose: Na série de reportagens sobre a Fome, uma das mais premiadas do Jornal Nacional, você viu de perto o drama vivido por pessoas que não têm o que comer. Diante de situações como esta é difícil para o jornalista não se envolver emocionalmente. Qual foi o momento mais difícil que você enfrentou durante a execução deste trabalho? E o que você aprendeu de mais importante?

Marcelo Canellas: O momento mais difícil foi o encontro de minha equipe com uma lavadeira de um lugarejo no interior do município de Araçuaí, no Vale do Jequetinhonha, em Minas Gerais. Ela estava com anemia profunda e tivemos muito medo de que fosse morrer a qualquer momento. Fizemos uma vaquinha para comprar víveres e deixar em sua casa. Depois chamamos uma ambulância para que ela recebesse cuidados médicos. Enquanto esperávamos, conversamos bastante; e dessa conversa resultou uma das mais emocionantes reportagens que fiz na vida. Nunca esqueci o nome dela: Maria Rita Costa Mendes. Continuamos, nas semanas seguintes, a percorrer o Brasil em busca de novas histórias para a nossa reportagem. Mas o desconforto da conversa com Maria Rita não nos abandonou um instante sequer. Quinze dias depois ela viria morrer em decorrência da desnutrição aguda. Foi um baque para todos nós, e também uma lição de humildade: por mais força que tenha, o jornalismo não consegue mudar a realidade brasileira. Nosso papel é jogar uma luz sobre temas que estão obscurecidos pelo desconhecimento ou pelo olhar viciado, cansado, que não consegue enxergar nem mesmo fatos contundentes. Entretanto, para mudar a realidade, só com a ação política da sociedade organizada.

Rose: Você é gaúcho de Passo Fundo (RS), mora em Brasília e tem viajado muito pelo país nestes seus 20 anos de jornalismo. Pode-se dizer que você conhece bem o Brasil?

Marcelo Canellas: Seria um tanto pretensioso dizer que conheço bem o Brasil, apesar de ter esquadrinhado, ao longo de 20 anos, todos os 27 estados e o Distrito Federal, onde moro. Mas posso dizer, com segurança, que conheci bem e aprendi a respeitar e a admirar o engenho criativo do povo brasileiro, manifesto na sua cultura e no seu modo de enfrentar as adversidades.

Rose: O Globo Repórter mostrou há pouco tempo uma sucessão de histórias de brasileiros que não têm uma relação formal com o estado, ou seja, não possuem registro de nascimento. Quando você retorna de uma série de reportagens como esta ou outras feitas em lugares distantes, como se sente olhando de volta para a “civilização”? Você mesmo traz para si novas reflexões?

Marcelo Canellas: É claro que a gente acaba se transformando um pouco a cada nova reportagem. Sou sempre um novo repórter sempre que volto do “Brasil profundo”. E acredito que vou ficando também uma pessoa melhor a cada retorno.

Rose: Ao deixar de lado grandes furos jornalísticos e optar por uma matéria-prima mais humana nas reportagens, dando voz a pessoas comuns, muitas vezes você não se considera um jornalista nadando contra a corrente?

Marcelo Canellas: É claro que não sou contra o furo. Muito ao contrário, o furo de reportagem deve ser perseguido por todo jornalista. O que não quer dizer que assuntos considerados “batidos” não tenham a sua importância na agenda de cobertura. Um assunto só é “batido” quando é enfocado sob os mesmos clichês enfadonhos de sempre. Ao buscar um viés criativo, o jornalismo é capaz de surpreender o leitor, o ouvinte ou o telespectador, qualquer que seja o tema abordado. No que diz respeito à cesta de notícias hegemônicas da agenda dos meios de comunicação, às vezes me sinto, sim, nadando contra a corrente da mesmice. Mas posso garantir que estou bem acompanhado. Existem muitos repórteres, de todas as mídias, que, felizmente, se preocupam em retratar as contradições da sociedade brasileira.

Rose: Você fica plenamente satisfeito com o resultado de seu trabalho? Que críticas faz a si mesmo em particular?

Marcelo Canellas: Costumo ser bem rigoroso comigo mesmo. Mas nem sempre acerto a mão. Além disso, reconheço algumas limitações. Por exemplo, não sou muito bom nas transmissões ao vivo. Como gosto de escrever, e sou detalhista em relação à escolha das palavras, nunca fico satisfeito com minhas intervenções ao vivo.

Rose: Nas palestras para estudantes de jornalismo você sempre enfatiza a importância do trabalho em equipe (indispensável não só na TV), da humildade intelectual e da ética profissional. Você considera estes pilares fundamentais para a formação de um bom jornalista? E o que mais você acrescentaria como primordial para exercer a profissão?

Marcelo Canellas: Sem dúvida. São os pilares da profissão. Além disso, eu acrescentaria o rigor com a precisão da informação, o que depende sempre de checagem (e de re-checagem) obstinada.

Rose: Lembro de uma crônica sua que fazia uma comparação entre o passado e o presente. E no final do texto, ao concluir que antigamente tudo era mais demorado e difícil, você perguntava “então por que engolimos o almoço? Por que estamos sempre atrasados? Por que ninguém mais bota cadeiras na calçada? Alguém pode me explicar onde foi parar o tempo que ganhamos?” Nesta correria que, sabemos, é a vida de jornalista você consegue achar tempo para o lazer? E nestas horas o que você gosta de fazer?

Marcelo Canellas: É claro que acho tempo para mim, para a minha família e para os meus amigos. A vida seria muito chata se ficasse restrita ao trabalho. Gosto de brincar com meus filhos, de sair com os amigos, de assistir aos jogos do Internacional de Porto Alegre (meu time do coração) na televisão, e de jogar minha pelada semanal. Gosto de cuidar de meu sítio nos arredores de Brasília onde planto feijão, milho, mandioca, hortaliças e crio galinhas caipiras.

Rose: Qual o tipo de música que você gosta de ouvir?

Marcelo Canellas: Música Popular Brasileira e Blues são minhas preferências.

Rose: E no cinema, quais suas preferências?

Marcelo Canellas: Assisto de tudo. De filmes infantis, com os meus filhos, até comédias românticas. Ir ao cinema é sempre um grande programa, mesmo que o filme seja ruim. Mas minha preferência é o cinema italiano: Felini, Irmãos Tavianni, Visconti, De Sica, etc.. Um dos meus preferidos é “O Baile”, de Ettore Scola, que conseguiu a proeza de realizar um filme fascinante sem um único diálogo sequer.

Rose: Sem falar em jornais e revistas, que tipo de leitura te atrai? Qual livro ou escritor você destacaria como essencial na sua vida?

Marcelo Canellas: Poesia: Mario Quintana, Drummond, Manuel Bandeira, Fernando Pessoa, José Paulo Paes.
Prosa: Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Érico Veríssimo, Machado de Assis, Raduan Nassar, Guimarães Rosa, Rubem Braga, Gabriel García Márquez, Ernesto Sábato, Dino Buzzatti, Marcel Proust.

Rose: Há iniciativas interessantes no país para incentivar o hábito da leitura que, me parece, não são muito utilizadas pela população de baixa renda. Um bom exemplo disso são as bibliotecas móveis que percorrem bairros das cidades e oferecem um acervo invejável. Outro dia soube que um menor entrou armado em uma dessas bibliotecas para roubar um notebook. Os livros, entretanto, permaneceram intactos. Pode-se dizer que este é o retrato de um país de várias “fomes”? A seu ver, como o brasileiro se alimenta espiritual e intelectualmente?

Marcelo Canellas: Será impossível oferecer essa “alimentação espiritual” sem, antes, oferecer escola pública de qualidade.

Rose: O jornalista hoje não consegue mais trabalhar sem tecnologia? Você acha que a Internet está “roubando” o público da Televisão?

Marcelo Canellas: É claro que está. As novas mídias são uma realidade. E a tecnologia é uma ferramenta fantástica, cada vez mais barata e mais acessível. Por isso mesmo, o que vai fazer a diferença são as pessoas. Tecnologia na mão de gente despreparada é um instrumento estéril.

Rose: Para você o que é a televisão? De que maneiras o trabalho da imprensa cria (ou reproduz) realidades que vão pautar a vida das pessoas?

Marcelo Canellas: A televisão é apenas uma ferramenta. Não cria nada. Quem cria são as pessoas. Só jornalistas bem preparados e bem formados conseguem exercer nosso ofício em sua plenitude, qualquer que seja a mídia disponível.


*Entrevista originalmente publicada em agosto de 2008.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Faz sentido?





A ausência de palavras às vezes pesa,
às vezes alivia

quinta-feira, 15 de abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Até já


Filme "A tout de suite"

Segunda-feira tem cinema francês de graça no Cineclube da Fundação Cultural BADESC, em Florianópolis. A sessão começa às 19h. Confira abaixo a programação das segundas-feiras de abril.

05/04
Até já - A tout de suite - França, 2004
De Benoit Jacquot. Com Isild Le Besco, Nicolas Duvauchelle, Ouassini Embarek. Drama em Cores. Duração 95’.
Ao desligar o telefone depois de um "até já" do namorado, ela sabe muito bem sem saber ainda aquilo que ela nem imaginava: aquele que ela ama, aquele "príncipe" de parte alguma é um bandido. Ele acaba de cometer um assalto, há mortos.
Estamos nos anos 70, ela tem 19 anos e, como num sonho acordado, salta do espaço restrito do apartamento paterno - de longos corredores, num belo bairro - e mergulha de cabeça numa geografia fugitiva - da Espanha para o Marrocos e para a Grécia - passando de uma vida de garota normal para a vida que ela escolheu, com suas delícias e consequências.

12/04
7 anos - 7 ans - França, 2007
De Jean-Pascal Hattu. Com Bruno Todeschini, Valérie Donzelli. Drama em Cores. Duração 86’.
Maïté é casada com Vincent que acaba de ser condenado a 7 anos de prisão. O falatório agora é seu único espaço de intimidade. Duas vezes por semana, ela pega a roupa suja, lava, passa e traz de volta. Um ritual que executa com afinco e precisão. Um dia, um desconhecido a encontra ao sair da prisão. Ele se chama Jean, e a seduz. Ele se torna seu amante, mas ela não o deixará entrar em casa. Um dia, ela descobre que Jean é guarda na prisão e que Vincent é seu protegido. Entre a vontade e a culpa, entre o prazer e o dever, ela se sente aprisionada em um jogo a três do qual ninguém conhece as regras...

19/04
Identidade - Pieces D'Identites - França, 1998
*Ganhador do Etalon de Yennenga e de melhor intérprete feminino*
Mani Kongo, o velho rei de uma província congolesa, decide partir em busca de sua filha, Mwana, que ele mandou para a Bélgica aos oito anos para estudar, de quem ele está sem notícias há anos. O rei, que não quer abrir mão de suas tradições, vai cruzar personagens como Chaka-Jo, jovem mestiço belgo-congolês e falso motorista de táxi sem documento de estadia, Viva Wa Viva, jovem elegante que se apossa de seu dinheiro, ou ainda Noubia, jovem cantora iluminada e solitária... Mani Kongo volta para casa com Mwana e Chaka Jo, mas será que o regresso a África permitirá a estas personagens 'sem lenço e sem documento' se reconciliarem com eles próprios?

26/04
O último dos loucos -Le Dernier des Fous - França, 2006
De Laurent Achard. Com Dominique Reymond, Mathias Mlekuz. Cores. Duração 96’.
É verão e começo das férias. Martin tem onze anos, vive na fazenda de seus pais e observa, desamparado, a desunião de sua família: sua mãe vive enfurnada em seu quarto, seu irmão mais velho, que ele adora, se afoga no álcool, e seu pai é dominado pela avó. O menino assiste a um desastre familiar. Mas Mistigri, seu gato, e Malika, uma amiga marroquina procuram lhe reconfortar de alguma forma…


A Fundação Cultural fica na rua Visconde de Ouro Preto, 216, centro.